{"id":5076,"date":"2026-01-21T21:28:52","date_gmt":"2026-01-22T00:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/rehabitare.direito.ufmg.br\/?p=5076"},"modified":"2026-01-28T17:32:29","modified_gmt":"2026-01-28T20:32:29","slug":"em-um-cenario-onde-a-crise-climatica-aprofunda-as-desigualdades-a-moradia-digna-e-segura-e-um-dos-mais-importantes-instrumentos-de-adaptacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rehabitare.direito.ufmg.br\/?p=5076","title":{"rendered":"Moradia Social: a urg\u00eancia negligenciada na crise clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais uma amea\u00e7a distante, \u00e9 a nossa realidade imediata. As recentes tempestades nas mais diversas localidades do pa\u00eds, com destrui\u00e7\u00e3o e enormes preju\u00edzos, e os recordes de temperatura e eventos extremos, ressaltados na recente repercuss\u00e3o da COP30, em Bel\u00e9m, serviram como um alerta para a urg\u00eancia inadi\u00e1vel de a\u00e7\u00f5es concretas. A ci\u00eancia \u00e9 clara: o tempo para debates mornos se esgotou. Precisamos de medidas radicais de mitiga\u00e7\u00e3o e, de forma igualmente crucial, de adapta\u00e7\u00e3o. No entanto, ao olharmos para a pauta que dominou as discuss\u00f5es internacionais, percebemos uma quest\u00e3o preocupante: o direito b\u00e1sico \u00e0 habita\u00e7\u00e3o social tem sido tratado como um tema lateral.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da Meta Global de Adapta\u00e7\u00e3o na COP30, em novembro de 2025, por exemplo, trouxe uma lista de 59 indicadores para medir o progresso dos pa\u00edses. A moradia, um pilar fundamental da seguran\u00e7a e dignidade humana, foi alocada dentro do indicador de infraestrutura, de forma secund\u00e1ria, mesmo sendo o abrigo fundamental contra as intemp\u00e9ries de um clima desregulado, que deveria ser encarada como um indicador de resili\u00eancia, priorit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem sente o impacto mais brutal e imediato da crise clim\u00e1tica s\u00e3o, justamente, as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e, no topo dessa pir\u00e2mide de exposi\u00e7\u00e3o, os moradores de rua e aqueles que vivem em comunidades prec\u00e1rias. Para essas pessoas, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma estat\u00edstica, mas uma amea\u00e7a direta \u00e0 vida. Em maio de 2024, por exemplo, o Rio Grande do Sul mostrou ao pa\u00eds a dimens\u00e3o letal dessa crise, com a pior cat\u00e1strofe clim\u00e1tica de sua hist\u00f3ria. As cheias devastadoras n\u00e3o s\u00f3 destru\u00edram casas de comunidades ribeirinhas e perif\u00e9ricas, mas atingiram fatalmente a popula\u00e7\u00e3o sem teto. Enquanto o balan\u00e7o oficial da Defesa Civil confirmou mais de 185 \u00f3bitos em todo o estado, as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, que j\u00e1 vivem sem abrigo e em \u00e1reas de maior exposi\u00e7\u00e3o, ficaram totalmente \u00e0 merc\u00ea das \u00e1guas e das doen\u00e7as subsequentes, e n\u00e3o foram contempladas pelas solu\u00e7\u00f5es emergenciais.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Para quem n\u00e3o tem paredes, a enchente n\u00e3o inunda, ela arrasta e mata. Al\u00e9m disso, os extremos de temperatura (calor e frio intensos) continuam a ser letais em todos os centros urbanos, e as moradias em \u00e1reas de risco s\u00e3o as primeiras a serem varridas por enchentes e deslizamentos, enquanto a escassez h\u00eddrica prolifera doen\u00e7as. Em um cen\u00e1rio onde a crise clim\u00e1tica aprofunda as desigualdades, a moradia decente e segura \u00e9 o primeiro e mais importante instrumento de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante que os governos, em todas as esferas, compreendam que investir em habita\u00e7\u00e3o social de qualidade, gerida de forma integrada e n\u00e3o segregadora, \u00e9 uma estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica de ponta. N\u00e3o se trata de caridade, mas de investimento em resili\u00eancia urbana e sa\u00fade p\u00fablica. Cidades bem adaptadas s\u00e3o aquelas que protegem seus cidad\u00e3os mais vulner\u00e1veis, garantindo que suas moradias sejam constru\u00eddas fora de \u00e1reas de risco, incorporem solu\u00e7\u00f5es de bioengenharia e materiais que promovam o conforto t\u00e9rmico e a efici\u00eancia h\u00eddrica, e estejam associadas a um sistema de gest\u00e3o que garanta a perman\u00eancia e o pleno desenvolvimento dos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: retirada da reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/mudancas-climaticas-impacto-moradia-social\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/mudancas-climaticas-impacto-moradia-social\">Nexo Jornal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais uma amea\u00e7a distante, \u00e9 a nossa realidade imediata. 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