Em 2025, o governo federal anunciou que pretende alcançar 3 milhões de novas unidades habitacionais contratadas até 2026 na nova linha do programa Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. A estratégia, conforme divulgado pela Agência Brasil, busca reduzir o déficit habitacional e ampliar o acesso à moradia para camadas médias da população. Mas como esse esforço tem se traduzido no território urbano, especialmente fora dos grandes centros? Essa é uma das perguntas centrais do livro A cidade em portfólio: superprodução da habitação e fronteiras da financeirização imobiliária, organizado por Lucia Shimbo, professora do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP.
A obra foi lançada durante o XXI Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Enanpur) e está disponível gratuitamente no site da Editora Letra Capital neste link. Ela apresenta evidências de que, nas últimas décadas, cidades do interior paulista passaram por uma intensa produção de habitação. De acordo com o material, o fenômeno da superprodução se concentra principalmente nas faixas 2 e 3 do programa MCMV voltadas à classe média e média-baixa.
O livro nasce de um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), numa chamada especial com a Université de Lyon (França), sobre os processos de financeirização urbana, com foco na cidade de Ribeirão Preto”, esclarece a professora. O trabalho é resultado de uma pesquisa realizada entre 2021 e 2023 que examina como a produção de moradias e a lógica de investimento financeiro moldam cidades como Ribeirão Preto, em São Paulo. A escolha da cidade se deu pelo seu porte e localização.
Em 13 capítulos, elaborados por estudantes de graduação e de pós-graduação do IAU, assim como por outros pesquisadores que participaram do projeto, o trabalho mostra como instrumentos financeiros passaram a orientar a produção do espaço urbano. “A gente tem duas perspectivas para entender a financeirização no setor imobiliário. Uma é a expansão do mercado financeiro e dos seus atores e instrumentos nos processos de produção do espaço urbano. A outra perspectiva é a compreensão sobre como o uso desses instrumentos altera as estratégias das empresas do mercado imobiliário ”, resume ela.
Foto: retirada da reportagem.
Fonte: Jornal da USP
