Os temporais que deixaram pelo menos 3 mil pessoas desabrigadas, milhares de desalojados e 49 mortos na Zona da Mata mineira são reflexo de negligência com as mudanças climáticas. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil que consideram os fatores climáticos e humanos responsáveis pelas fortes chuvas em Juiz de Fora e Ubá, com enxurradas, deslizamentos de terra echeias de rios acima do normal.

“Quando estamos falando de extremos, de riscos ambientais, estamos falando de mudanças climáticas”, afirmou geógrafo Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

É preciso buscar soluções. O professor da UFJF sugere começar pelo ordenamento urbano das cidades. Segundo ele, o Poder Público perdeu o controle dos terrenos para o capital imobiliário que, na prática, define qual o valor dos imóveis e, logo, o perfi socioeconômico dos moradores. O resultado é que as pessoas pobres sắc empurradas para áreas de menor valor econômico, que são as de maior risco de desastre ambiental.

“O discurso de que as pessoas pobres não devem ocupar áreas de risco despreza elemento mais importante: é o capital imobiliário que define quem vai morar aonde”, destacou.

Dessa forma, segundo Felippe, as áreas com maiores perdas de vidas e materiais, em Juiz de Fora, são OS bairros pobres. “Esta é a população com menor capacidade de resiliência e que vai ter mais dificuldade de sereconstituir”.

Levantamento realizado pelo jornal OGlobo, com dados oficiais do Portal da Transparência, mostra que os recursos para a Defesa Civil estadual caíram de 135 milhões de reais para milhões, coincidindo com segundo governo de Romeu Zema (Novo). Procurado pela reportagem, governo estadual não comentou.

Foto: retirada da reportagem.

Fonte: Carta Capital

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