O déficit habitacional em Minas somado às moradias com inadequações ultrapassaria 1,5 milhão de unidades, segundo dados preliminares, referentes a 2023, divulgados nesta terça-feira (29/4/25) pela Fundação João Pinheiro (FJP). O órgão foi um dos convidados presentes à primeira audiência pública da Comissão Extraordinária de Defesa da Habitação e da Reforma Urbana.
Instituída este ano pela Mesa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para propor ações na área, a comissão debateu no âmbito do Estado as políticas públicas de habitação de interesse social (HIS), aquelas voltadas para garantir às populações de baixa renda o direito à moradia digna para melhorar a qualidade de vida.
O pesquisador da FJP, Frederico Poley Martins Ferreira, responsável pela Pesquisa Nacional Sobre Déficit Habitacional, explicou que o déficit calculado pela FJP procura identificar basicamente dois grandes grupos, quantitativo e qualitativo.
O primeiro aponta a necessidade numérica de novas residências para atender famílias com falta de moradia digna, que vivem em habitações precárias, na rua, em coabitação ou com ônus excessivo com aluguel. Em Minas, faltariam 478.755 moradias, das quais 115.636 na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Na dimensão qualitativa, mais de 1, 3 milhão de moradias apresentam alguma inadequação, das quais cerca de 395 mil na RMBH, como ausência de banheiro, piso inadequado, falta de serviços de saneamento, abastecimento de água e energia elétrica, entre outras variáveis.
Críticas foram feitas também por Leticia Araujo Notini, coordenadora Estadual do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas. Segundo ela, o governo estadual interrompeu a destinação de recursos ao Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social, fechou a mesa de negociação de conflitos e vem desmantelando a Cohab, que, na avaliação da ativista, avaliação mais parece “uma imobiliária vendendo imóveis públicos pelo site”.
Foto: retirada da reportagem.
