A comunidade Santa Quitéria, em Congonhas, na Região Central de Minas, povo tradicional remanescente de quilombo, foi oficialmente certificada pela Fundação Cultural Palmares como comunidade quilombola, nesta sexta-feira (18). Os moradores vêm sendo ameaçados de despejo devido a um projeto de expansão de uma mineradora.

Na prática, a concessão do título dá acesso a políticas públicas voltadas para essa população. Também ajuda a promover e preservar a cultura local e a proteger o território. O certificado da Fundação Palmares é concedido a partir da autodeclaração das comunidades onde vivem descendentes de população negra escravizada.

A certificação é motivo de comemoração dos moradores. A comunidade teme ser removida desde a assinatura do Decreto 496 pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO). O texto prevê a desapropriação de uma área de 261 hectares onde a mineradora CSN planeja construir pilhas de rejeitos.

Segundo a líder comunitária Aline Soares Marcos, há mais de oito anos ela reúne documentos “dia e noite” e colhe depoimentos de moradores antigos na tentativa de obter o certificado. “Muito antes dessa ameaça de desapropriação a gente já estava na luta pelo reconhecimento da nossa comunidade. Algumas pessoas de quem eu peguei depoimentos já até morreram”, contou ela.

“Aqui não é só terra. É a nossa história. A gente sempre preservou a nossa cultura – buscando água na bica, usando lenha, fazendo a festa de folia de reis, ensinando as músicas, brincadeiras e hábitos antigos para as novas gerações. Tem vários elementos que a gente tem dentro deste lugar, que faz dele o nosso lugar”, disse a líder comunitária.

Foto: retirada da reportagem.

Fonte: G1

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