Discurso da vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, na abertura do Diálogo de Alto Nível sobre Habitação Adequada para Todas as Pessoas.
Permitam-me começar com uma pergunta simples: o que foi necessário para que estivéssemos aqui hoje?
Acordamos em algum lugar seguro.Tínhamos um endereço para onde os documentos pudessem ser enviados, onde nossas famílias sabiam nos encontrar.
Tínhamos um espaço para fazer uma refeição, carregar nossos telefones e nos prepararmos para este dia.
Para quase três bilhões de pessoas em nosso planeta, nada disso é garantido.
Hoje, em um mundo cada vez mais urbanizado, quase 3 bilhões de pessoas vivem em condições inadequadas, em assentamentos informais, moradias superlotadas ou sem nenhum abrigo. Entre elas, estão mais de 120 milhões de refugiados e deslocados internos — famílias expulsas de seus lares por conflitos, perseguições e violência.
Essa crise afeta todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aos quais nos comprometemos até 2030.
Mais adiante este ano, a Segunda Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social será uma oportunidade para reafirmar que a moradia é essencial para a proteção social, o trabalho digno, o acesso a serviços — e para a construção de uma sociedade justa e coesa.
Também precisamos colocar no centro da discussão aqueles que costumam ser deixados às margens: mulheres, jovens, pessoas idosas, pessoas com deficiência, povos indígenas, populações deslocadas e pessoas em situação de rua. Suas vozes e experiências devem informar políticas e soluções — porque sabem o que funciona, o que está faltando e podem contribuir com soluções que precisamos expandir.
Foto: retirada da reportagem.
Fonte: Nações Unidas Brasil
