Por trás da construção da Casa de Sal, uma residência sustentável erguida com oito mil garrafas de vidro na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, está a história de duas gerações de mulheres negras. Edna Dantas, 55, e Maria Gabrielly Dantas, 27, são mãe e filha, e têm suas vivências entrelaçadas com o ativismo ambiental.
“A gente fala sobre ativismo como se fosse algo externo, mas, pra mim, é uma forma de vida. É a nossa realidade, nossa maneira de sobreviver dentro do planeta Terra”, fala Edna, em entrevista a Marie Claire. Nascida no Agreste de Pernambuco e criada em Curitiba, ela cresceu entre práticas de reaproveitamento e respeito aos recursos naturais.
A educadora socioambiental afirma que sua vida sempre foi de muita prática. “Saímos do Nordeste e viemos para uma capital no Sul, sem ter conhecimento sobre o lugar. Viemos buscar uma vida melhor, mas enfrentamos muitas dificuldades. Minha mãe se envolveu com associação de moradores, junto com outras mulheres, para lutar por moradia. Elas queriam um pedaço de terra pra viver. E foi nessa luta que a consciência ambiental se manteve viva.”
Já em 2020, durante a pandemia, um novo projeto ganhou forma. Morando na Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá (PE), dentro de uma Área de Proteção Ambiental, elas começaram a observar a enorme quantidade de lixo descartado de forma irregular, principalmente garrafas de vidro, resultado do turismo desenfreado na alta temporada.
“Minha mãe já chegou com uma ideia. Ela disse: ‘Quero fazer uma casa de garrafa de vidro’. E dali começamos”, conta Gabrielly. A estrutura da casa foi montada com madeira reaproveitada, identificada e selecionada com a expertise herdada do avô, que era carpinteiro, e as paredes foram erguidas com cerca de oito mil garrafas de vidro recicladas.
Foto: retirada da reportagem.
Fonte: Um só planeta
